Bactérias tornam-se mais resistentes a dois antibióticos (Folha de S. Paulo)

01/07/2009

O meningococo, principal causador da meningite bacteriana, tornou-se 12,6% mais resistente a dois antibióticos -a penicilina e a ampicilina- em três anos. É o que mostra um estudo do Instituto Adolfo Lutz feito de 2006 a 2008.

Foram examinadas 1.096 cepas. A resistência à penicilina foi de 13,5% para 15,1%. No caso da ampicilina, a variação foi de 13,4% para 15,1%. O crescimento vem ocorrendo desde 2000, quando os estudos começaram a ser feitos, e é relatado também em outros países.

A resistência foi considerada intermediária -isso significa que essas bactérias não são totalmente resistentes aos remédios, mas ficam menos sensíveis, o que pode requerer um aumento de dose.

“No caso de meningite, qualquer resistência é importante, pois é difícil fazer com que os antibióticos penetrem no liquor”, diz Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O uso indiscriminado de antibióticos -decorrente da automedicação, por exemplo- contribui para o aumento da resistência, pois mata as bactérias sensíveis e favorece a proliferação das resistentes. “Deveria haver mais cautela no uso de antibióticos”, diz Maria Cecília Gorla, pesquisadora científica do instituto.

Segundo Berezin, a penicilina e a ampicilina são remédios de primeira escolha para meningite meningocócica.

Gorla, do Adolfo Lutz, diz que, na prática, quando os médicos ainda não sabem o causador da meningite, muitas vezes usam outros tipos de medicamento. De qualquer forma, o aumento da resistência a esses dois antibióticos contribui para o desenvolvimento de resistência a outros remédios, como os de última geração derivados da ampicilina e da penicilina.

Além disso, o fato de o meningococo estar mais resistente às duas drogas pode significar que outras bactérias, causadoras de doenças tratadas com esses medicamentos, também estejam resistentes a eles. “A penicilina é amplamente usada para pneumonia e outras infecções respiratórias”, diz Maria Cristina Brandileone, também pesquisadora científica do Adolfo Lutz.

Foram testados seis antibióticos -não foi detectada resistência significativa aos demais.

Fonte: Folha de S. Paulo
Jornalista: Indefinido

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